ÁREAS PROTEGIDAS ATRAVESSADAS PELA 72ª VOLTA A PORTUGAL EM BICICLETA

Áreas Protegidas atravessadas em 2010

Parque Nacional da Peneda - Gerês (PNPG)

Parque Nacional com a superfície de cerca de 70.000 ha estendendo-se por território dos concelhos de Arcos de Valdevez, Melgaço, Montalegre, Ponte da Barca e Terras do Bouro.

Zona de Protecção Especial (“Serra do Gerês”) e Sítio de Importância Comunitária (“Serras da Peneda - Gerês”) incluídos na Rede Natura 2000. As “Matas de Palheiros/Albergaria” constituem uma Reserva Biogenética (Conselho da Europa). O PNPG e o Parque Natural da Baixa Limia - Serra do Xurés (Galiza) formam, desde 1997, o “Parque Transfronteiriço Gerês - Xurés” e, a partir de 2009, a “Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés” (Rede Mundial de Reservas da Biosfera - UNESCO).

O Parque Nacional, estendendo-se em amplo semi-círculo engloba as serras do Gerês, da Peneda, Soajo e Amarela e os planaltos de Castro Laboreiro, a oeste, e da Mourela, a leste. Nas falhas dos vales da Peneda e Gerês surgem caldas (nascentes de água com propriedades medicinais) onde se desenvolveu o termalismo.
Presença de espécies botânicas raras, nomeadamente o Lírio do Gerês Iris boissieri, endemismo ibérico e um dos símbolos do Parque Nacional, importantes manchas de carvalhais (dominadas por carvalho-alvarinho Quercus robur e carvalho-negral Quercus pyrenaica) vegetação ripícola (caracterizada sobretudo pela presença do teixo Taxus baccata, amieiro Alnus glutinosa e freixo Fraxinus angustifolium) e turfeiras. Numerosas áreas agricultadas e pastagens: lameiros e prados de lima.
Fauna variada incluindo o lobo Canis lupus que aqui tem um dos maiores núcleos populacionais dentro da sua área de distribuição, o corço, espécie emblemática do PNPG, o Capreolus capreolus, a cabra (a “cabra do Gerês” Capra pyrenaica, desaparecida destas serranias em finais do séc. XIX mas novamente presente desde 1999) e várias espécies de morcegos. Sítio importante para toupeira-de-água Galemys pyrenaicus e lontra Lutra lutra. Avifauna com algumas espécies de distribuição limitada em Portugal caso da águia-real Aquila chrysaetos, gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax, falcão-abelheiro Pernis apivorus e a narceja Gallinago gallinago, na sua única zona conhecida de nidificação em Portugal.
Vestígios pré-históricos, importantes testemunhos da época romana (com destaque para a geira romana, itinerário traçado através da montanha, seguindo o vale do rio Homem e de que ainda hoje podemos admirar restos do pavimento e marcos miliários, monumentos medievos, curiosos exemplos de aglomerados de montanha, caso das brandas e inverneiras em Castro Laboreiro e de arquitectura popular.
Na área do Parque Nacional cria-se o cão de Castro Laboreiro (cão pastor apreciado pela sua rusticidade e bravura na guarda do gado) e o boi barrosão (excelente produtor de carne e animal de trabalho).

Contacto
Parque Nacional da Peneda-Gerês
Avenida António Macedo, 4704-538 Braga
telef. 253 203 480; fax 253 613 169
correio electrónico pnpg@icnb.pt

Paisagem Protegida do Corno de Bico (PPCB)
Paisagem Protegida regional classificada através do Decreto Regulamentar nº 21/99, de 20 de Setembro, e ocupando uma superfície aproximada de 2.180ha no concelho de Paredes de Coura (parte das freguesias de Bico, Castanheira, Cristelo, Parada e Vascões). Sítio de Importância Comunitária “Corno do Bico” incluído na Rede Natura 2000.

Esta área protegida integra as cabeceiras dos três principais cursos de água do Alto Minho - Labrujo, Coura e Vez - possuindo uma extensa e bem conservada mancha de carvalhal (carvalho roble Quercus robur e carvalho negral Quercus pyrenaica).

Contacto
Paisagem Protegida do Corno do Bico
Câmara Municipal de Paredes de Coura
Largo Visconde de Mozelos, 4940-525 Paredes de Coura
telef. 251 780 100; fax 251 780 118
correio electrónico contacto@em-paredes-coura.pt

Parque Natural do Alvão (PNAl)
Parque Natural criado pelo Decreto-Lei nº 237/83, de 8 de Junho, cobrindo uma superfície de pouco mais de 7.230 ha e abrangendo parte das freguesias de Bilhó e de Ermelo no concelho de Mondim de Basto e a freguesia de Lamas de Olo e parte das freguesias de Borbela e Vila Marim no concelho de Vila Real. Área incluída no Sítio de Interesse Comunitário (“Alvão - Marão”) da Rede Natura 2000.

Montanha associada do ponto de vista biogeográfico à serra do Marão essencialmente granítica, com inúmeros afloramentos rochosos. O granito assume as mais diversas formas: em bolas (caos granítico) em lamas de Olo, Agarez e Arnal; o imponente morro que domina a aldeia de Arnal; o relevo acidentado de cabeços graníticos na estrada Muas-Lamas de Olo...) e algumas manchas de xisto (vales estreitos e profundos - Ermelo ou Varzigueto - moldados por socalcos agrícolas.
Linhas de água encaixadas com destaque para o rio Olo que corre enfisgado nas rochas quartzíticas e dá colorido e vida ao Parque Natural, originando a queda de água das Fisgas do Ermelo.
Variado coberto arbóreo (carvalho negral Quercus pyrenaica e bétula Betula alba nas zonas de altitude, carvalho roble Quercus robur, em áreas mais baixas, e sobreiro Quercus suber nas áreas mais abrigadas e soalheiras). Vasta área de matorral (com giestas Genista spp., tojos Ulex spp., urzes Erica spp.), pinhais e áreas agrícolas (nas serranias e encostas a nascente predominam as culturas de sequeiro enquanto as vertentes e vales virados a poente se apresentam com vegetação mais luxuriante). Presença de espécies florísticas raras (orvalhinha Drosera rotundifolia, açucena brava Paradisea lusitanica, satirião malhado Dactylorhiza maculata, tabaco-de-montanha Arnica montana…).
Da fauna existente, destaque para a gralha-de-bico-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax, com o estatuto de “em perigo”, o lobo Canis lupus, numa das suas raras zonas de abrigo em Portugal, e diversas espécies ameaçadas de morcegos. Truta-fario Salmo trutta nos ribeiros e regatos mais turbulentos e frios. Interessante cortejo de anfíbios e répteis, nomeadamente a salamandra-lusitânica Chioglossa lusitanica.
Tipo de povoamento e arquitectura rural característicos da região trasmontana. Criação da raça bovina maronesa, animal resistente no trabalho e de excelente carne

Contacto
Parque Natural do Alvão
Largo dos Freitas, 5000 - 528 Vila Real
telef. 259 302 830; fax 259 302 831
correio electrónico pnal@icnb.pt

Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE)
parque natural criado através do Decreto-Lei nº 55/76, de 16 de Julho, com uma superfície de ha que faz deste parque natural a mais extensa área protegida portuguesa e abrangendo território pertencente a várias circunscrições administrativas: no concelho de Celorico da Beira, as freguesias de Cadafaz, Linhares da Beira, Prados, Rapa, Salgueirais, Vale de Azarese Vide-entre-Vinhas e parte de Carrapichana, Casas de Soeiro, Cortiçô da Serra, Lageosa do Mondego, Mesquitela, Ratoeira, Santa Maria (vila) e São Pedro (vila); no concelho da Covilhã, a freguesia de Unhais da Serra e parte de Aldeia do Carvalho, Cortes do Meio, Erada, Paul, Sarzedo e Verdelhos; no concelho de Gouveia, as freguesias de Aldeias, Figueiró da Serra, Folgosinho, Freixo da Serra, Mangualde da Serra, Moimenta da Serra, Paços da Serra, S. Julião (cidade), S. Pedro (cidade), e Vinhó e parte de Lagarinhos, Melo, Nabais, Rio Torto, S. Paio e Vila Cortês da Serra; no concelho da Guarda, Aldeia Viçosa, Corujeira, Meios, Mizarela, Pero Soares, Trinta, Videmonte e Vila Soeiro bem como parte das freguesias de Cavadoude, Faia, Famalicão, Fernão Joanes, Maçaínhas de Baixo, Porto da Carne, Vale de Estrela, Vale de Amoreira, Valhelhas e Vila Cortês do Mondego; no concelho de Manteigas, as freguesias de Sameiro, Santa Maria (vila) e S. Pedro (vila); no concelho de Seia, freguesias de Alvoco da Serra, Cabeça, Lapa dos Dinheiros, Loriga, Sabugueiro, Sandomil, Santa Marinha, S. Martinho, Sazes da Beira, Seia, Valezim e Vila Cova à Coelheira e parte de Folhadosa, Pinhanços, Santa Comba, Santiago, S. Romão, Teixeira, Torrozelo e Vide Sítio de Importância Comunitária (“Serra da Estrela”) incluído na Rede Natura 2000. O “Planalto Central da Estrela” constitui uma Reserva Biogenética (Conselho da Europa). O “Planalto Superior da Serra da Estrela e o troço superior do rio Zêzere” são um sítio Ramsar incluido na lista das zonas húmidas de importância internacional.

A Estrela, pela sua massa e pela altitude, é a principal montanha portuguesa e elemento maior da cordilheira central que divide o Portugal do norte do Portugal do sul. Nela se situa a Torre (1991 m), ponto mais elevado do continente português e local de intensa visitação sobretudo em momentos de queda de neve. Paisagem variada: lagoas e pastagens de altitude, turfeiras, carvalhais e castinçais, área de mato, floresta de protecção e matas de produção.
Nascente do Mondego, Alva e Zêzere, verdadeiro castelo de água a dominar as Beiras e assento de variadas meteorologias. Inúmeros vestígios da última glaciação Vales em forma de U como o do Zêzere, covões e moreias, blocos erráticos e rochas polidas assim como as inúmeras lagoas de origem glaciária são outros tantos testemunhos dos ciclópicos movimentos de que a Estrela foi palco. Um cristal de gelo, a reflectir episódios passados e águas presentes, simboliza o Parque Natural.
Na fauna hermínia enquanto o lobo Canis lupus desapareceu assinala-se a presença do javali Sus scrofa. A lagartixa-de-montanha Lacerta monticola pode observar-se na zona rochosa de altitude. Vários micro-mamíferos (toupeira-de-água Galemys pyrenaicus...), répteis (quioglossa Chioglossa lusitanica...) e aves (melro-de-água Cinclus cinclus...) associam-se às linhas de água.
A pastorícia já foi actividade dominante mas a ovelha bordaleira da Serra da Estrela, criadora prolífera e de grande aptidão leiteira, ainda confere à aba ocidental da serra um cunho pastoril. A serra é ainda solar do cão da Serra da Estrela e berço do famoso queijo que ostenta o seu nome parte do qual é hoje objecto de fabrico industrial.
O povoamento é essencialmente periférico com alguns casais isolados e interessantes arquitecturas nas povoações que a envolvem.

Contacto
Parque Natural da Serra da Estrela
Rua 1º de Maio 2 - Valazedo, 6260-101 Manteigas
telef. 275 980 060; fax 275 980 069
correio electrónico pnse@icnb.pt

Reserva Natural da Serra da Malcata (RNSM)
Reserva Natural criada através do Decreto-Lei nº 294/81,de 16 de Outubro, com uma superfície de cerca de 16.350 ha, abrangendo território pertencente aos concelhos de Penamacor - parte das freguesias de Penamacor, Meimoa e Meimão - e Sabugal, parte das freguesias de Sabugal, Malcata, Quadrazais, Vale de Espinho e Fóios.
Com a designação “Serra da Malcata” existem um Sítio de Importância Comunitária e uma Zona de Protecção Especial integrados na Rede Natura 2000 além duma Reserva Biogenética (Conselho da Europa).

A Malcata é uma sucessão de cabeços arredondados (a Machoca, o ponto mais elevado da serra, sobe a pouco mais de 1000 m de altitude dominando, passe o exagero, um maciço de cumes suaves e arredondados) de natureza xistosa que se perdem Espanha adentro pela serra da Gata, talhados por ravinas e sulcados por pequenas linhas de água.
Resquícios de carvalhais a norte (carvalho negral Quercus pyrenaica e azinheira Quercus rotundifolia coabitando com o medronheiro Arbutus unedo) e, a sul, em zona muito explorada e erodida, outrora domínio do sobreiro Quercus suber, presença da azinheira e larga superfície coberta por matas de produção. Bosques ripícolas (com amieiro Alnus glutinosa e freixo Fraxinus angustifolia) ao longo do Bazágueda, Côa e ribeira da Meimoa. Extensas áreas de matagal mediterrânico: os matos, giestas, urzes e medronheiros, estes últimos, por vezes, com porte arbóreo, dominam a paisagem variando a sua composição de acordo com a altitude e a exposição.
A fauna presenteé variada incluindo gato-bravo Felis silvestris, javali Sus scrofa, fuínha Martes foina, geneta Genetta genetta... e em que, até há bem pouco, se destacava o dificilmente observável e sagaz lince-ibérico. Presença de numerosos répteis e anfíbios. Passeriformes, de difícil observação (pega-azul Cyanopica cyana ou rouxinol-do-mato Cercotrichas galactotes), a par de inúmeras espécies comuns. Presença de aves de presa com destaque para as necrófagas (grifo Gyps fulvus e abutre-preto Aegypius monachus). A cegonha-preta Ciconia nigra refugia-se nos vales do Bazágueda e da ribeira da Meimoa. A Malcata é terra de escasso povoamento (olivedos e campos de cultura abandonados, relembram-nos uma presença mais perene na serra que circunstâncias sócio-económicas diversas se encarregaram de acabar). O internar-se na serra tem, ainda hoje, um sabor a aventura. Nesta raia de Portugal, o intrincado dos caminhos é um convite ao perder-se e o ambiente envolvente esconde e relembra as sagas dos contrabandos de outrora.

Contacto
Reserva Natural da Serra da Malcata
Rua Dr. António Nunes Ribeiro Sanches 60 - Apartado 38, 6090-587 Penamacor
telef. 277 394 467; fax 277 394 580
correio electrónico rnsm@icnb.pt

Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC)
Parque Natural criado pelo Decreto-Lei nº 8/94, de 11 de Março, com uma superfície de aproximadamente 14.480 ha e abrangendo território pertencente aos concelhos de Sintra (freguesia de Colares e parte das freguesias de Sta. Maria, S. Miguel, S. João das Lampas, S. Martinho e S. Pedro de Penaferrim) e Cascais (parte das freguesias de Alcabideche e Cascais). Uma parte da Área Protegida está classificada como “Paisagem Cultural de Sintra” integrando a Lista de Sítios do Património Mundial (UNESCO); Sítio de Importância Comunitária (“Sintra-Cascais”) incluído na Rede Natura 2000.

Pequeno maciço postado diante do oceano, alongando-se de leste para oeste e subindo até aos 528 m na Cruz Alta denominado pelos romanos por Promontório da Lua. Outrora domínio dos matos (urzes, tojos, carrascos...) a serra mudou de feição após a introdução de diversas essências florestais nomeadamente o pinheiro bravo Pinus pinaster. Actualmente, em certos trechos da paisagem, a árvore assume um ar de floresta densa a contrastar com o coberto vegetal da zona litoral, sofrendo da presença imediata do oceano, ou das culturas de sequeiro na vasta plataforma calcária de São João das Lampas. O exotismo da vegetação atinge a sua expressão maior nos parques da Pena e de Monserrate (jardins datados da época romântica exibindo centenas de espécies vegetais oriundas dos quatro cantos do mundo por entre grutas, ruínas, lagos e cascatas). Falésias, arribas baixas (sobretudo imediatamente a norte de Cascais onde o modelado cársico - campos de lapiás - é bem visível até à zona do cabo Raso), praias, dunas (nomeadamente as dunas móveis na zona do Guincho - Crismina, dunas consolidadas de Oitavos e do Magoito) e o focinho da Roca pautam a orla marítima. Trilhos de pegadas de dinossáurio (deixadas por espécies herbívoras quadrúpedes bem como por espécies carnívoras bípedes, no caso das pegadas tridáctilas) nas bancadas verticais que fecham pelo lado sul a Praia Grande do Rodízio. Além de inúmeros exemplos de arquitectura erudita, do Palácio da Vila, com as suas singularíssimas chaminés é um do ex-libris da vila e símbolo do PN, do singular conjunto da Pena e de jardins raros e cuidados, caso de Monserrate a Área Protegida, apesar da presença próxima de importantes zonas urbanizadas ainda alberga na sua zona rural curiosas manifestações de arquitectura popular. O valor cénico do conjunto valeu-lhe (1995) a integração na Lista do Património Mundial (UNESCO) com a categoria de “paisagem cultural” reconhecendo a existência em Sintra de uma feliz aliança entre o património natural e o património cultural aliança essa de há muito atestada pelos visitantes que fizeram da serra um exemplo acabado do “passeio de Domingo”.

Contacto
Parque Natural de Sintra-Cascais
Rua Gago Coutinho 1, 2710-566 Sintra
telef. 219 247 200; fax 219 247 227
correio electrónico pnsc@icnb.pt

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